Poema quietinho
Tem dias que acordo
[no silêncio uniforme das 5 da manhã
com um poema todo feito na cabeça.
Abro os olhos
[o teto é infinit (o)
(amente) amplo
a mente ampla]
e ele se vai.
Tem dias que acordo
[no silêncio uniforme das 5 da manhã
com um poema todo feito na cabeça.
Abro os olhos
[o teto é infinit (o)
(amente) amplo
a mente ampla]
e ele se vai.
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Caminhar na rua é um ótimo exercício, tanto para as pernas quanto para a mente.
Pode observar. Se você mora numa cidade grande, surge o velho clichê de ter muitas pessoas e todas parecerem não se importar se você está passando, contantoque não fique no caminho delas. Talvez você faça o mesmo.
Será um mecanismo de fuga?
Por que temos problemas em nos sentirmos próximos?
Segurança? Medo de nos vermos refletidos?
O que temos a ver um com o outro?
O mundo funcionaria se, de alguma maneira, não estivéssemos ligados, mesmo que indiretamente?
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Dia desses eu atravessava uma rua movimentada. Era final de tarde, hora do rush. Mal chegara ao outro lado da rua, um carro passou. Uma garota atravessava comigo também. Fizemos um rápido comentário. Ela foi para a esquerda, e eu segui em frente.
E nunca mais nos vimos.
Ou será que sim?
As formas da cidade são indistintas para quem não está atento.
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A distância em que vivemos nos traz conforto? Talvez seja um conforto forçado. Bem individual. Um mundo customizado! Nossa fome de presença é constante e não pode ser amordaçada… escondida. Afetividade é importante.
Distância física e proximidade emocional sempre foram um casal difícil. Sabe, difícil comparar um namoro real com um namoro a distância. Eles não podem ser comparados pelo simples fato de serem coisas distintas. Num namoro a distância, nós praticamente namoramos uma imagem idealizada daquela pessoa real. O que dói é perceber isso.
Onde eu termino e o outro começa?

Crédito ao Projeto Sonho pela foto.
Quarta-feira de Cinzas.
O mundo gira novamente no Brasil.
As lojas abrem, as pessoas trabalham, não há mais desculpa para folia.
As praias ficam vazias, e de repente todos temos coisas para fazer.
O Carnaval acabou.
E agora vamos ao assunto!
A frase gastíssima ecoa nos ouvidos de todos que cresceram assistindo ou de alguma forma acompanharam a TV global, querendo ou não querendo, gostando ou não gostando. Parece tão banal falar disso, mas.. já parou pra pensar no que ela significa?
Não sei você, mas quando assisto a programas globais, sinto como se não precisasse mais pensar. É tudo tão colorido, passa tão rápido, propaganda de novela e Tela Máxima. E a Globeleza do Carnaval! (Sinceramente, se eu tivesse filhos pequenos, não gostaria que eles me perguntassem da mulher pelada que aparece na televisão.)
O Jornal Nacional muda de notícias de desastres (que aliás ocupam a maior parte do noticiário) para algum acontecimento bizarro envolvendo cachorros. Tudo num piscar de olhos. Num sorriso do William Bonner. (Ou seria num beicinho?).
Esse é o tipo de entretenimento do qual grande parte dos brasileiros dispõe. (Claro, sem mencionar que grande parte das propagandas e programas de várias emissoras sempre têm apelo sexual. Nada contra, mas é tão repetitivo que cansa.)
Isso somado a crônica falta de leitura… dá no que deu.
Até que ponto a Globo realmente noticia? Aonde estão os limites de informar e moldar politicamente?
Tudo depende do enfoque. É que nem ler revistas. Observe, leitor(a), um exemplo: invasão do MST a fazenda da Cutrale. Uns chamam de terroristas, outros de corajosos lutadores. Altamente questionável arrancar pés de laranja, principalmente quando pessoas que se dizem defensoras da reforma agrária fazem isso. Pobres laranjas!
Em que(m) acreditar?
E a Globo da ditadura?
Voltamos a falta de senso crítico do brasileiro comum, e está explicada a fácil manipulação televisiva. É muito fácil lançar produtos novos através de novelas. Cansei de estar nalgum restaurante, passar algo global na televisão, e eu perceber que aquilo está conectado com um determinado estilo que vêm se repetindo entre os jovens. Claro que isso não se restringe a juventude. Outro dia entrei numa loja de artigos para cama, mesa e banho, e uns dos argumentos do vendedor para que um edredom soasse mais atraente é que uma tal de Lilia Cabral que fazia não sei quem em não sei qual novela usava. Awesome. Falei pro vendedor que não acompanhava novelas. Ele deu uma risadinha e continuou a listar as personagens noutros artigos. Ele não faria isso se já não tivesse funcionado antes. Realmente acredito que ele não levou a sério o que eu disse.
Querido(a) leitor(a), espero que você não se veja na Globo.Talvez se tivesse alguma identificação com ela, não teria lido o texto até aqui.
Uma mente firme e bem informada é importante. Não se deixem manipular por essas redes, seja a Globo ou qualquer outra.
Lembra da TV Cultura?
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Ter consciência de algo que você quer mudar é o primeiro passo para a mudança. Sabe aqueles filmes que realmente captam sua atenção, aqueles com os quais você realmente se identifica? Geralmente, eles são vistos e revistos, e a cada vez você vê coisas que não tinha visto antes. Pequenos detalhes. Detalhes que mudam ou enriquecem toda a história.
Pode até soar como um grande clichê, mas a vida tem encruzilhadas. Pode ser que nesse momento, ao ler isso, pareça uma maçante obviedade. No entanto, esses momentos decisivos podem acontecer sem que ao menos percebamos. Não sei quantas vezes minha mente dragou da memória eventos tão distantes no tempo, questionando minhas atitudes ou enaltecendo-as; e sempre imaginando o que teria acontecido se eu estivesse escolhido diferente.
Foram momentos decisivos.
O quanto vale isso? Uma lição? Várias lições?
Outro lugar-comum: aprenda com seus erros. Só porque está gasto, não quer dizer que tenha perdido a validade. (Essa cultura de consumismo nos ensina que tudo que apresenta um mínimo de desgaste deve ser trocado por outro algo novo e “melhor”. Será esse o motivo do atual desprezo aos clichês?). Aprender com os erros é importante, e muito. Mas o aprendizado deve ser armazenado como experiência, aquela voz que nos fala nos momentos em que as coisas acontecem e você precisa agir diferente. Claro que precisamos ouvir essa voz. O triste de ficar lembrando das bobagens que você fez é ficar se culpando; isso cria uma espécie de interferência naquela voz da experiência. Puxa pra baixo ao invés de ajudar a seguir em frente.
Tudo pode passar como um filme em sua cabeça. As lembranças de cada época de sua vida. Uma data, um olhar, uma ida ao cinema. Um sentimento. Tudo. E aí você vê os detalhes, e eles parecem o todo. Principalmente os que machucaram. Holy crap, jogue isso fora. Não serve pra nada, a não ser que você queira entrar em depressão.
Será que aquele outro clichê, de que o tempo tudo resolve, também é verdadeiro?
Será que resolve tudo mesmo?
Eu diria que é e não é. E não depende tanto do tempo que passou, não. Há lembranças tão vívidas hoje quanto no dia que aconteceram, mesmo que tenha sido há 20 anos. Talvez não seja o tempo transcorrido externamente que mude tudo. Talvez o tempo real seja aquele que passou dentro de nós, nosso amadurecimento. E este, por sua vez, depende mais do nosso querer, da nossa força de vontade.
Em suma, não depende do tempo em si, mas do que permitimos que ele nos faça.
Nosso mundo interno, um verdadeiro universo paralelo ao que vivemos, ecoa em todas as nossas atitudes, e o mundo é feito de vários mundos que mal se olham na rua e têm pavor de conversar no elevador. Profundamente interligados, aplaudindo a grande deusa Globalização; mas cada mundo na sua órbita.
O tempo dissolve?